SUJEITO OCULTO
(O
EREMITA)
Tomo
Como
Feito,
Um vulto,
Que, como um SUJEITO
OCULTO,
Encosta-me num lugar estreito,
Em que vulto
Nenhum é dado como feito.
Repudio o culto,
Como feito,
Em que se tenha que prestar tributo.
Mas o respeito,
Como um SUJEITO
OCULTO
Que é,
Da mesma forma que sinto em meu jeito,
Um vulto
De fé;
Feito
Um colírio
Para os olhos ocultos
Que me guiam. Carrego no pé
Direito,
O martírio
De nunca ter carregado.
Mas é
No peito
Que trago o volume mais pesado,
E único responsável de meu martírio.
Com o pé
Esquerdo,
Aprumo o fardo,
Para que maior seja o alívio
Da fé.
Faço do fardo,
Um agrado
Que é
Castigo, às vistas de quem me pregou na cruz.
Uma missão
De luz
Que eu cumpro na escuridão,
Porque eu não me chamo JESUS,
Mas a sua contemplação
Deduz
A informação
Que reluz
Um clarão
Oculto,
Em continuação
Do vulto
Que me guia, como uma proteção
Divina.
EU SOU O ESCUDO,
QUE A ESPADA
DO MUDO
FALADOR ENVIOU-ME DO NADA,
ATRAVÉS DO ESTUDO
PERCORRIDO NUMA ESTRADA
DE VIDAS
PASSADAS,
EM QUE UMA VIDA
É APENAS MAIS UM LIVRO,
ENTRE OUTROS MILHARES DE LIVROS
QUE SE EMPILHAM NA INFINITA
BIBLIOTECA SAGRADA,
CONSTRUÍDA
HÁ MILHÕES
E MILHÕES
DE SÉCULOS.
Cada
Século
É apenas mais um degrau,
Entre outros séculos
Da infinita escada
Universal
Do tempo.
Espaço
E tempo
São duas variáveis, e partes integrantes de um enorme laço,
Que é a razão da existência. PORQUE O TEMPO
MUDA, DE ACORDO COM O ESPAÇO;
E O ESPAÇO
MUDA, DE ACORDO COM O TEMPO.
Por isso que eles nunca se separam... Um espaço
De tempo;
É como um tempo
Num espaço
De vida,
Que pode durar até um século
Ou mais, Mas, no fundo, a vida
Não tem um século;
Porque a vida
Ocupa espaço, e o século
Registra o tempo de vida
No espaço de um século,
Que corresponde a cem anos.
Mas, no fundo, um século
Não tem cem anos;
Porque um século
Ocupa espaço na escada
Universal,
Onde cem anos estão contidos em cada
Degrau,
Assim como cada
Vida
É apenas um livro da biblioteca sagrada,
Escondida
Na torre do nada,
Que se oculta na vida.
NADA
É UMA PALAVRA MAL-COMPREENDIDA,
QUE NEM O ESPAÇO, COM SEU ESCUDO, E NEM O TEMPO, COM SUA ESPADA,
CONSEGUIRAM PROTEGER A MENTE DESPROVIDA
DO HOMEM, DE UMA CERTA SAGACIDADE,
MOVIDA
PELA CURIOSIDADE.
Toda ação
Que inclina,
Dá uma impressão...
Porém, é difícil questionar-se, a tudo que culmina,
Quando a razão
Está com quem ensina,
E não com quem aprende a lição.
Eu não sei o que me destina,
Além da morte;
Nem tão pouco por onde peregrina
Minha sorte,
Além do que me destina.
Por isso é mais lógico tomar porte
De uma proteção divina,
Como um golpe de sorte;
Do que procurar na ruína,
Um sentido de vida para a morte.
Que me permita
Enxergar um clarão
No fim do túnel, que um EREMITA
Guarda, na vasta imensidão
Da sabedoria infinita
Do meu coração!
Caso contrário, que eu me permita
Enxergar na escuridão,
Essa bendita
Luz da razão,
Que me ofusca a vista,
Chamada: ILUSÃO,
Como pista
Desse vulto,
Que eu denomino, como SUJEITO
OCULTO,
No meu jeito
De enxergar
O feito.
Feito
Um olhar,
Que toca em meu peito,
Sem apalpar,
Como um leito
De calor,
Que faz correr, por entre o mesmo, uma profunda sensação
De presença, que só a dor
Da circuncisão,
Pode explicar tamanho prazer.
O prazer
De enxergar na escuridão,
Uma luz que acendeu da dor.
Dor,
Que faz nascer
Um clarão
Ainda maior, DE AMOR,
PRAZER
E PAIXÃO,
Por esse seguidor
Que me acompanha no tempo de viver.
Oculto ou não,
Eu me considero esse ser,
Que é companheiro da minha SOLIDÃO.