"Muito fundo é o abismo do passado. Não poderíamos dizer sem fundo?". - Faz muito tempo que Thomas Mann escreveu este pensamento, iniciando seu quarteto, "José e seus irmãos". Você deve estar se perguntando: - Que finalidade teria um autor teatral, em querer ressucitar um tema tão complexo e antigo, num veículo público e atual? É bem verdade que não cheguei a tal conclusão da noite para o dia... Afinal, foram sete anos entre dias e noites de completa entrega, desde pesquisa e estudo, até o complemento final, que foi a montagem de um espetáculo teatral em 1993. Tratando-se do tema em questão, Kabbalah é uma corrente mística religiosa judaica que retrata a tradição de um povo; tradição esta passada de geração durante séculos, tendo como únicas fontes de informação, "a boca e o ouvido". Como autor teatral, não estou querendo colocar em questão, judaísmo ou exoterismo... Desejo sim, mostrar a busca do homem por ele mesmo, tal como estou expondo o meu trabalho. Um pensamento primaz da Kabbalah diz que: "Tal é em cima, como embaixo", isto é: "O começo é igual ao fim, assim como o fim é igual ao começo". "Muito fundo é o abismo do passado. Não poderíamos dizê-lo sem fundo? Quando mais fundo mergulharmos, quanto mais descermos ao mundo do passado, inquirindo-o e acediando-o, mais descobrimos que as origens da humanidade, sua história e cultura, se revelam insondáveis". (Thomas Mann)

Alexandre C. Garcia